No meio de "Lugar Nenhum", erguia-se uma única e simples casa. E, dentro dela, vivia um único e infeliz homem.
A casa, que de fato não merecia tal nome, era muito velha, e estava mais para um "local-circundado-por-quatro-frágeis-paredes-de-madeira-e-um-teto" do que para qualquer outra coisa. E o teto, bem... Tampouco merecia ser chamado assim.
Também do lado de fora nada era decente ali. A terra virava barro, quando algum milagre trazia a chuva, e depois voltava a ser terra. Sem nenhum sinal de qualquer fauna ou flora - nem grande, nem pequena; nem viva, nem morta.
Ou, ao menos, assim era até o Rio chegar.
Quem diria que "Lugar Algum" tinha alguma montanha? E quem diria que dessa uma nasceria e desceria destino a casa do homem sozinho um persistente, insistente, resistente e valente Rio?
Pois então... O Rio chegou e mudou tudo.
Ele transformou o nada, e do choque sofrido pelo todo surgiram as primeiras cores. Com as cores, vieram também os primeiros animais, mudando pouco a pouco aquele pedaço de terra chamado "Lugar Nenhum" e encantando seu mais antigo morador.
O homem, que até então se alimentava de tédio e bebericava doses amargas de tristeza, gostou muito daquilo que viu. Não sabia como tinha chegado ali, mas gostava. Estava feliz e pensava até mesmo em mudar o nome da cidade para comemorar.
Para "O Lugar", talvez.
Ele só não sabia que nem todo presente vem e simplesmente fica. É preciso cuidar e é preciso cuidado. E ele ainda ia demorar um tempo para entender que quase tudo é eterno enquanto dura e depois acaba.
Mas, como a história termina aqui, não sei dizer que fim o homem levou.
Só posso afirmar que sem o Rio ele não era nada. Que sem aquele persistente, insistente, resistente e valente Rio, ele era nenhum.
