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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Evaporou


As mãos que amavam juntas e caminhavam dadas pelos mais belos caminhos.
O cheiro que tomava o ar e inspirava os passos sem temer nenhum espinho.
Os tons que pintavam o mundo e as cores todas lá de fora:
O claro da tua pele e a face mais bela do que qualquer aurora.

Eras meu alto e meu céu.
Meu riso e meu tudo.
E através dos teus olhos era muito melhor ver qualquer mundo.

Mas enfim um fim: evaporou.
Antes ar e saudade; depois medo e dor.

E se eu nunca mais me sentir daquele jeito?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O homem e a chuva


Tudo deve ser culpa do ciclo da água. O calor do sol aquece nosso corpo e faz transpirar. Aquece as gotas de água presentes no ar, transformando-as em gás, e atinge os oceanos criando uma grande quantidade de vapor. Com isso, formam-se as nuvens, que são carregadas pelo vento até os continentes e fazem chover. Um ciclo nada perfeito.

Ao mesmo tempo em que a água volta ao solo trazendo vida, leva algumas com ela. Cria pequenas poças, esmaga animais menores e dificulta tudo de um modo geral. Às vezes, a chuva traz consigo o frio, a neve. Em outras, traz o vento, que não contente com a sua participação na história até aqui, aparece de novo só para importunar.

E sempre foi assim. Quando chovia, as espécies buscavam formas para não se molhar ou machucar. Copas de árvores, folhas grandes, grutas, cavernas. Qualquer coisa capaz de refrear o ímpeto das águas ou minimizar seus efeitos. E, enfim, todos aprenderam a ver na natureza possibilidades de segurança. Até mesmo o homem.

Mas a mãe terra foi gentil demais conosco. Ela nos concebeu com maior inteligência e fomos obrigados, ainda na antiguidade, a ir além dos outros animais. Mais hábeis e espertos, construímos nossas próprias moradias com teto, e depois, na Mesopotâmia, inventamos artefatos para proteger a cabeça de nossos líderes. Um feito notável.

O homem, então, seguiu seu processo evolutivo rumo à perfeição. Fez avançar a tecnologia e ampliar a praticidade de suas invenções. Usou toda a sua astúcia para dar vida a marquises e guarda-chuvas e, assim, proteger todos – quer em ambientes abertos ou fechados. Uma verdadeira amostra de inteligência.

Mas, em pleno século XXI, no auge da racionalidade, surge uma dúvida: se somos tão espertos e capazes assim, POR QUE, DIABOS, AS PESSOAS INSISTEM EM ANDAR DEBAIXO DE LOCAIS COBERTOS COM SEUS GUARDA-CHUVAS ABERTOS?

Só pode ser culpa do ciclo da água.

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Esse texto foi escrito para o Desafio 6 do site "Portfólio Sem Vergonha", que propôs o tema "Proteste" e deu liberdade total para a criação. Ainda aqui, gostaria de indicar e elogiar o PSV por sua iniciativa, pela dedicação que dedica a sua atividade e pela oportunidade que da a nós escritores.