terça-feira, 22 de novembro de 2011

Aprendizado


Ele iria lembrar daquele momento por diversas vezes em sua vida...

"Mar crespo e vento forte. Quatro remavam e um ia ao timão, guiando o barco. Faltavam ainda uns seis ou sete quilômetros até a costa, e o sol alto manchava suas camisetas com suor. Estavam esgotados, mas não queriam ficar em alto mar.

Ele, em especial, dava seu máximo. Os outros apenas passavam os remos pela água; esperando. Ao sinal do timoneiro, entretanto, entenderam tudo. O leme ia a direita, mostrando quem realmente se esforçava ali.

Em uníssono, os demais a bordo pediram desculpas. A distância, a partir de então, já não assustava mais."

E assim é a vida, pensou.

As vezes é melhor deixar com que as pessoas percebam seus erros e atitudes do que cobrá-las por falhas.

Simplesmente não vale a pena.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Conexões


O dia de Marcos seria cheio.

Chegaria ao trabalho e logo cedo leria as notícias matinais, indispensáveis, como acreditava, para qualquer um. Avesso a veículos sensacionalistas, deixaria de lado assuntos ligados à vida de "celebridades", mas estaria ansioso para ler a tão aguardada matéria de capa da revista mensal.

Lá pelas 10 horas, provavelmente conversaria com Júlio, seu melhor e mais fiel amigo. E o assunto seria o futebol, como em quase todas as segundas-ferias. Daquela vez, o time de Marcos haveria vencido o de Júlio, e este teria que aguentar um longo deboche de seu então rival.

Mais tarde, se realmente quisesse almoçar, Marcos teria que ignorar uma série de clientes, que, chatos ou não, seriam importantes para os negócios. Depois, teria poucas horas parar fazer o muito que sua profissão exigia. "Ócios do ofício", como diria.

Se sobrasse algum tempo, faria questão de ver Camila, uma linda morena que há muito habita sua mente e coração. Dona de olhos verdes provocantes e de um sorriso fácil, ela alimentaria a esperança de seu admirador, ganhando maior tempo para decidir o que realmente quer.

De fato, aquele seria um dia de fortes emoções.

Quando chegou na empresa, entretanto, Marcos encontrou uma sala sem luz e um computador sem internet. Nada pode fazer, assim. A não ser esperar sentado para se reconectar ao seu mundo.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Suicída


Ele não estava feliz.

Entrou em um bar de segunda categoria e sentou-se no único banco livre junto ao balcão. Em seguida, pediu uma dose de sua bebida favorita e se pôs a pensar em todos os seus problemas, sem sequer olhar ao redor ou reparar no cheiro forte de cigarro que impregnava o ar.

Do seu lado, um homem de olhos fundos e barba rala pareceu notar sua expressão, dando início a um diálogo que mudaria muito. Que Mudaria tudo.

- Você alguma vez já pensou em suicídio?
- Não. Nunca!
- Pois acho deveria pensar. Eu, ao menos, penso todo dia.
- Mas por que disso?
- Porque sim.
- Mas não faz o menor sentido!
- Não estou pedindo para cometê-lo, apenas para pensar sobre.
- Eu só não entendo o motivo...
- É que as vezes pensar no fim mostra justamente pelo que é importante viver.

Sentiu como se centenas de Volts percorressem seu corpo.

Ainda em choque, bebeu em um só gole a bebida que estava em seu copo e sentiu-a queimar enquanto passava por sua garganta. Depois, saiu do bar pensando em sua família, amigos e nos sonhos ainda não realizados.

Pela primeira vez em muito tempo, pensou não nos problemas, mas no porque devia superá-los - quer fossem amor, trabalho, dinheiro ou saúde.

E finalmente viu que as coisas não eram tão ruins assim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Evaporou


As mãos que amavam juntas e caminhavam dadas pelos mais belos caminhos.
O cheiro que tomava o ar e inspirava os passos sem temer nenhum espinho.
Os tons que pintavam o mundo e as cores todas lá de fora:
O claro da tua pele e a face mais bela do que qualquer aurora.

Eras meu alto e meu céu.
Meu riso e meu tudo.
E através dos teus olhos era muito melhor ver qualquer mundo.

Mas enfim um fim: evaporou.
Antes ar e saudade; depois medo e dor.

E se eu nunca mais me sentir daquele jeito?