
No céu, cores vibrantes.
Entre anil e o branco das nuvens, transparentes e finas linhas forçavam para cima e para baixo pipas amarelas, verdes, vermelhas e azuis, em uma dança quase coreografada que preenchia o ar com magia e mistério, alegria e inspiração.
Comandadas por meninos de meia idade - nem crianças, nem adultos -, o espetáculo muito se assemelhava ao show de um ventríloquo: viam-se os tons, mas não os corpos; contemplava-se a cena, mas nunca o todo.
Invisíveis, assim, ao alto iam não apenas tons e luzes, mas também sonhos, desejos e vontades. E alheios as responsabilidades do tempo, os olhos dos garotos se perdiam ao longe em ingênuos devaneios.
No alto, fios colidiam, se abraçavam ou arrebentavam, em uma clara alusão à vida. E, juntos aos raios oriundos do sol, corriam livres risos sinceros, trazendo calor e conforto a todos em um banho de esperança.
Mas eram, também, ainda muito jovens para entender. E, tão logo a lua surgiu, foram todos para casa, sem saber que aquele tinha sido um dos melhores momentos de suas vidas e que um dia sentiriam saudade de tudo aquilo.
Naquela noite, dormiram e sonharam.
Sempre aguardando pelo dia de amanhã...