
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Um homem de palavra

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Sempre ele

Sete horas da noite.
Ele não sabia mais o que fazer e decidiu sair de casa. Calçou seu tênis menos surrado, vestiu sua camisa favorita e não voltou atrás. Bateu a porta da frente com força e avançou sem olhar para qualquer um dos lados. Para nenhuma placa ou pessoa.
Não tinha um rumo.
Quando recuperou parte da sensibilidade na ponta dos dedos - perdida com o choque sofrido há poucos instantes - cravou as unhas na carne em busca de alento. O torpor de seu corpo não interessava mais. Ele buscava outra dor para ocupar sua mente e sentir-se vivo.
Queria ter certeza de que aquilo tudo era real.
Perdido em pensamentos, seguia com uma fisionomia fria e dura enquanto lembrava do primeiro olhar, do primeiro beijo. Baixava levemente as pálpebras enquanto a sensação do primeiro toque subia por suas costas e forçava os dentes quando as últimas palavras inundavam seus ouvidos.
Ele realmente não queria ouvir.
Só e vazio.
Acompanhado apenas de saudade e pesar no peito.
domingo, 12 de dezembro de 2010
O espaço

A noite avançada lentamente quando levantei para fechá-la. Mas, frente a frente com a causa de meu despertar repentino, parei. A vista da noite era tão linda que não pude ter outra reação senão contemplá-la.
"- O que vemos no céu é o passado, sabia? São o que todos aqueles planetas e estrelas foram um dia. As cores, as formas... Tudo!
- Não, meu filho. De certa forma não, ao menos. Muitas daquelas estrelas podem nem existir mais, mas continuam lá em cima brilhando para nós.
- É que elas estão tão longe que a luz delas demora anos para chegar até aqui. E, quando chega, o que a gente vê não é mais como o astro é, mas sim como era. Entende?
- Não. Não foi nada. Eu só fiquei me perguntando... Se algum dia algo separar a gente e eu olhar para o céu, vou rever esse momento? Vou me ver sentado com você aqui de novo?"
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Nenhum
A casa, que de fato não merecia tal nome, era muito velha, e estava mais para um "local-circundado-por-quatro-frágeis-paredes-de-madeira-e-um-teto" do que para qualquer outra coisa. E o teto, bem... Tampouco merecia ser chamado assim.
Também do lado de fora nada era decente ali. A terra virava barro, quando algum milagre trazia a chuva, e depois voltava a ser terra. Sem nenhum sinal de qualquer fauna ou flora - nem grande, nem pequena; nem viva, nem morta.
Ou, ao menos, assim era até o Rio chegar.
Quem diria que "Lugar Algum" tinha alguma montanha? E quem diria que dessa uma nasceria e desceria destino a casa do homem sozinho um persistente, insistente, resistente e valente Rio?
Pois então... O Rio chegou e mudou tudo.
Ele transformou o nada, e do choque sofrido pelo todo surgiram as primeiras cores. Com as cores, vieram também os primeiros animais, mudando pouco a pouco aquele pedaço de terra chamado "Lugar Nenhum" e encantando seu mais antigo morador.
O homem, que até então se alimentava de tédio e bebericava doses amargas de tristeza, gostou muito daquilo que viu. Não sabia como tinha chegado ali, mas gostava. Estava feliz e pensava até mesmo em mudar o nome da cidade para comemorar.
Para "O Lugar", talvez.
Ele só não sabia que nem todo presente vem e simplesmente fica. É preciso cuidar e é preciso cuidado. E ele ainda ia demorar um tempo para entender que quase tudo é eterno enquanto dura e depois acaba.
Mas, como a história termina aqui, não sei dizer que fim o homem levou.
Só posso afirmar que sem o Rio ele não era nada. Que sem aquele persistente, insistente, resistente e valente Rio, ele era nenhum.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
O dia de amanhã

quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Lágrimas

- Me desculpe...
Jogou seus braços ao redor do pescoço do menino, entrelaçou os dedos com força uma incomum e suplicou:
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
O conselho
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
O retrato em sépia
O sorriso que um dia roubou e nunca mais conseguiu devolver.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O homem e a chuva
Ao mesmo tempo em que a água volta ao solo trazendo vida, leva algumas com ela. Cria pequenas poças, esmaga animais menores e dificulta tudo de um modo geral. Às vezes, a chuva traz consigo o frio, a neve. Em outras, traz o vento, que não contente com a sua participação na história até aqui, aparece de novo só para importunar.
E sempre foi assim. Quando chovia, as espécies buscavam formas para não se molhar ou machucar. Copas de árvores, folhas grandes, grutas, cavernas. Qualquer coisa capaz de refrear o ímpeto das águas ou minimizar seus efeitos. E, enfim, todos aprenderam a ver na natureza possibilidades de segurança. Até mesmo o homem.
Mas a mãe terra foi gentil demais conosco. Ela nos concebeu com maior inteligência e fomos obrigados, ainda na antiguidade, a ir além dos outros animais. Mais hábeis e espertos, construímos nossas próprias moradias com teto, e depois, na Mesopotâmia, inventamos artefatos para proteger a cabeça de nossos líderes. Um feito notável.
O homem, então, seguiu seu processo evolutivo rumo à perfeição. Fez avançar a tecnologia e ampliar a praticidade de suas invenções. Usou toda a sua astúcia para dar vida a marquises e guarda-chuvas e, assim, proteger todos – quer em ambientes abertos ou fechados. Uma verdadeira amostra de inteligência.
Mas, em pleno século XXI, no auge da racionalidade, surge uma dúvida: se somos tão espertos e capazes assim, POR QUE, DIABOS, AS PESSOAS INSISTEM EM ANDAR DEBAIXO DE LOCAIS COBERTOS COM SEUS GUARDA-CHUVAS ABERTOS?
Só pode ser culpa do ciclo da água.
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Esse texto foi escrito para o Desafio 6 do site "Portfólio Sem Vergonha", que propôs o tema "Proteste" e deu liberdade total para a criação. Ainda aqui, gostaria de indicar e elogiar o PSV por sua iniciativa, pela dedicação que dedica a sua atividade e pela oportunidade que da a nós escritores.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Cansei!
Ele olhou dentro dos meus olhos com um enorme pesar. De repente, pareceu achar graça de algum pensamento e esboçou um sorriso. Mas logo seu rosto voltou a tencionar e ele prosseguiu:
- Sabe o que é pior? - Uma pausa dramática para potencializar suas próximas palavras - Apesar da dor ou da força de qualquer saudade, o sentimento prevalece. Eu a amo. Realmente a amo.
Virei o rosto e fitei o horizonte. De início, deixei o silêncio falar por mim, retardando ao máximo a ânsia de tecer qualquer comentário. Depois, escolhi cuidadosamente cada palavra e disse o que realmente queria dizer:
- É. Eu sei muito bem como é se sentir assim.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Relações

Não tarda e vem esperança,
E enfim, tudo é alívio:
Céu limpo, alegria,
Céu sujo, sentido.
Nuvens de outrorá ganham formas e cores.
E se tudo fossem sempre flores?
Do caos surgem possibilidades esquecidas, então.
E não será o mesmo com vida e inspiração?
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Céu

sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A bola
Ela tinha medo de ser trocada, sentia ciúmes. Era muito nova para suportar aquilo e não estava nem um pouco preparada. Fechou os olhos com força e começou a tremer.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Só

quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Meus dois mundos
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Sou todo saudade
Registros em alguma areia.
Creio que mesmo os pequenos grãos e as diminutas gotas tenham registrado nossa existência: nossos abraços, ontem, e minha saudade, hoje. E julgo-os capazes de depor ao vento nossa intensa e finita felicidade.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
O escritor

quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O contador de histórias

quarta-feira, 28 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Parte 1

Mesmo agora, sem rosto e forma,
és dona de meu calor e detentora de meu coração.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Lâmina d'água
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Miragem

quinta-feira, 17 de junho de 2010
Uma paleta de duas cores

segunda-feira, 7 de junho de 2010
Pedido

terça-feira, 1 de junho de 2010
Para uso postal

sexta-feira, 21 de maio de 2010
Efeitos

quarta-feira, 19 de maio de 2010
Nota (01)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Mergulho

sexta-feira, 30 de abril de 2010
Ajuda...
domingo, 11 de abril de 2010
E se eu tivesse certeza?

terça-feira, 6 de abril de 2010
E se meus dentes ainda fossem de leite?

Olhei para os lados e todos pareciam estar mais seguros do que eu. Rostos padronizados, compostos por um misto de frieza, certeza e confiança. Até onde eu deveria levar a serio a ameaça em suas expressões? Eu não sabia. Nunca havia jogado com eles antes e era, até certo ponto, complicado prever blefes. Uma das regras básicas do Poker dizia justamente para não confiar em demasia na face dos jogadores, mas...
Em mãos, dois “2”. E eu precisava fervorosamente que mais um “2” surgisse. Apenas mais um. Era pedir muito? Com uma trinca, por mais que a numeração de minhas cartas fosse baixa, eu pensava já ter o suficiente para vencer, para apostar alto e, quem sabe, sair dali com o prêmio ou ao menos ganhar mais fichas.
Só mais um “2” e quem sabe tudo se resolvesse. Irônico, pensei. E um breve filme de meu passado atingiu meus olhos: eu, ainda jovem, vislumbrando dois caminhos a seguir, dois caminhos que decidiriam meu futuro e que contariam a história de quem eu sou.
De um lado, meus dois melhores amigos, também jovens, livres, largados, preparados para sair pelo mundo. Ansiosos por serem enfim independentes, para deixarem seus pais, suas casas, escolas e tudo mais para trás. Apreensivos, portanto, para viver um dia por vez, sem certezas, sem cobranças, sem se preocupar com o amanhã – isso se houvesse um amanhã.
Do outro lado, dois amores. Minha primeira e única paixão verdadeira e meu irmão mais novo – os quais eu julgava nunca ser capaz de abandonar. Ponderando pesos e medidas, eles eram essenciais para mim, dois dos motivos principais que embalavam minha vida. Eu era jovem, mas realmente a amava, lembro ainda hoje da intensidade do sentimento. E quanto ao meu irmão, ele era a única razão sincera para que eu continuasse vivendo no mesmo teto que meus pais.
Voltando ao presente, o “Dealer” trabalhou novamente. Com o “turn”, mais uma carta na mesa, mais inúmeras combinações possíveis e mais motivos para que o frio percorresse a minha espinha de cima abaixo. Eu estava com medo. Precisava daquele dinheiro. E aquela dama de copas pouco ajudava em minha situação.
Em jogo, agora, uma dama de copas e um rei de espadas... Paralelamente ao jogo, minha mente era novamente aturdida por lembranças.
Eu tomei uma decisão e existiram outros amanhãs. Mas o que me fizera seguir dois desocupados, acreditar em seus conselhos, nas conjecturas de um futuro que nunca viria a acontecer? Como pude deixar o conforto, sentimentos tão reais? Como pude me tornar um bêbado que depende de jogo e de apostas para viver?
Na mesa, ninguém se atrevia a por mais fichas em jogo e o “Dealer” voltou a mexer no baralho. Dessa vez, iria virar a quinta carta, a que decidiria a última rodada de apostas. No âmago de meu ser, agora, eu sabia que a única coisa que eu queria mais do que aquele “2” era uma chance de voltar no tempo começar de novo.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Apresentação
